13/04/2007

Palavras. Partidas e Chegadas


Tudo nos sabe a última vez. Voltei mas pareço partir. Como se só então sentisse a dimensão que tem dizer-te que fico e tu vais, como se só então partilhasse do medo de que eu vou e não volto, de que tu ficas e não darás pela minha falta. Como se só então pudesse suspeitar da identidade que mostrámos um ao outro, como se só então pudesse amar essa imensidão de coisas que ficaram por fazer e dessas outras tantas que ficarão por dizer quando um de nós se for embora. Nessa altura eu vou saber que não haverá passo atrás que possa ser dado. Os beijos acontecerão por descuido e os afectos, demasiadamente adiados, vão ser histórias por acontecer.
Não sei de que forma escutas a minha voz, se ainda a escutas. Sabes que podíamos muito bem ser dois estranhos a cruzarem-se todos os dias em passeios contrários e que então não terias dado por mim, nem eu por nós. Na volta, tem dias em que somos realmente dois estranhos a lutar contra uma corrente de controvérsia, tentando em vão acreditar que, depois do fim, seremos eternos amantes a discutir ao sol sobre a génese do mundo e sobre o que está ainda por vir. O texto vai longo e até hoje não coubeste em mim, quanto mais em tantas dúzias de palavras… além do mais, já dizia o cantor:

Words, they cannot love, Don't waste them like that, Cus they'll bruise you more

2 comentários:

borrowing me disse...

meu deus...


imprimi... desculpa, mas neste caso tenho permissão, pois escreveste o que sinto

Abssinto disse...

Dúvidas na torrente. Vamos-nos sempre deparar com elas mesmo depois de acharmos a suposta cara-metade.