24/04/2007

Digam lá o que os blogs disserem...



Sinto a tua vida a invadir a minha. Como se por mais que fugíssemos, mais os acasos falassem em nosso favor. Os acasos que ambos perseguimos mas que ninguém pode dar conta. Os sonhos que nos acordam, as palavras francas que nos apetecem mas que hoje, uma vez mais, vão ter de ficar para amanhã. As músicas que definem esperas, os entretantos e os silêncios, o vazio latejante das emoções sem espaço. O que queremos e perseguimos, o romper das manhãs e das noites para que tu sejas constante em mim e eu em ti. Os sorrisos pendurados, os abraços prometidos, os dias que contamos para que haja tempo… um dia. Por enquanto, no lugar do sonho, dorme uma hipótese. E uma esperança. Mas também a eterna e magoada razão, pedindo calma, pedindo luz, pedindo indiferença. Porque (tu sabes) da indiferença não nasce o sentimento. E sem sentimento, não haverá mágoa. E eu não terei de perder altura, porque terei subido apenas o que me foi legítimo subir. Lembra-te que não posso voar, digam lá o que blogs disserem. Fui feita para andar a direito, sem inversões de marcha. E a música vai ao ritmo que tu querias que eu fosse. Azar o teu. Eu vou muito mais a frente. Não te esqueças que faz muito tempo que fugimos um do outro e a distância que levamos, agora que queremos estar juntos, é demasiada para que eu recue. E não é de mim recuar. Nem de ti fazeres um esforço para me alcançares. Por isso eu prezo tanto a indiferença. A jaula disfarçada dos leões cuja responsabilidade é defender-se dos próprios erros. E o meu erro maior és tu. Tu e a tua tamanha vontade de seres tu próprio. Os meus medos? Esses hoje resumem-se a um só: o de chegarmos a um ponto sem retorno, onde eu lamente o que nos aconteceu, mas tu não. Porque foste mais capaz da indiferença que eu, e a inveja é uma coisa fodida. Prometo-te que farei o possível para continuar a fugir, mesmo que inadvertidamente me peças que não o faça. Um dia vamo-nos rir de tudo isto mas hoje não é esse dia.

6 comentários:

isabel mendes ferreira disse...

digam lá o que disserem



hei de volta sempre aqui....


:))))))))))))

lugar sábio.



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lugar que é espaço aberto.


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o lugar.

______________

beijo.

Abssinto disse...

Acto contínuo... Siga!

bj

Menina dos olhos de água disse...

"os dias que contamos para que haja tempo..."
lindo a frase o texto.
não sei se consegues voar. sei que me fizeste voar :)

Um beijinho

Clarissa disse...

Querida Beatriz... a par da minha falta de imaginação, acontece que encontrar sete coisas em que seja boa, ou sete actores de que goste... é coisa que não alcanço. Se sou boa em alguma coisa é mesmo em rir... e nomes é algo que sou péssima a decorar. No sexo oposto aprecio o sentido de humor, a inteligência, a capacidade de manter uma boa conversa... e um bom traseiro, porque no resto sou tão exigente com o sexo oposto como com o feminino. De resto encontro muitas coisas boas em ser mulher, e muitas dificuldades em ser mulher nesta sociedade patética. A melhor coisa é ao mesmo tempo o maior embaraço em ser mulher hoje: a capacidade tão feminina de sonhar com um mundo diferente; mas todos insistem à minha volta no facto de que o mundo não é assim...Hum... e também sou uma mulher de paixões, apaixonada pelas coisas que faço, pelos desafios em que entro.
Há muita coisa que faço mal, a principal é «dizer Não»; mas também não sei cantar, nem escalar montanhas,que me assustam as alturas :)
Perdoa não ter correspondido ao teu desafio da forma devida, mas nunca consegui «Rotular-me» nestes tópicos a que toda a gente parece saber responder tão bem.
Um beijo muito doce.

Clarissa disse...

O teu texto... repito-te:«da indiferença não nasce sentimento... e sem sentimento não há mágoa...»
... e ainda assim eu prefiro a mágoa, apesar de invejar a indiferença sem sofrimento.

Sofia Miranda disse...

Olá Beatriz, queria só deixarte uma palavra de agradecimento :) fico feliz que tenhas gostado da minha foto e que a tenhas creditado! Um beijinho e continuação de boa escrita.