07/11/2007

Cartas de Coimbra I


Sabes... penso em ti todos os dias. Na roda viva deste destino que não escolhi. Nem escolhemos. E, sabes, sento-me todos os dias quando chego a casa nesta cadeira e choro um bocadinho. Por nós dois. Fixo-me no silêncio que sobra quando percebo que vivo sozinha e longe de ti. Mais que isso, choro ao lembrar-me que a tua vida me passa o lado todos os dias e que no meu lugar outras tantas partilham tudo o que em ti me faz falta hoje.
Ainda na outra noite me pediram que falasse de ti. Sem querer, sem sequer esperar, chorei um bocadinho. E, sabes, por mais força, por mais máscaras, por mais persistência que juntemos ao rosto com que enfrentamos o dia... eu sei que no fim, eu vou chegar a casa e sentar-me nesta mesma cadeira e, novamente, tu não vais ca estar, tu não vais ligar, não me vais responder a mensagem que te deixei no computador para quando enfim chegasses a casa, e que depois de tudo isso, eu vou chorar, porque te sinto fugir, porque tu estas longe e eu longe estou, porque outras pessoas entram na tua vida e na minha também e o inevitável custa demasiado.
E nessa noite, por um bocadinho de lágrimas eu disse talvez tudo. Porque a vida hoje não me chega e dá me medo. Medo que um dia volte e tu já não esperes por mim. Hoje agarro-me aos últimos feixes de luz que entram pelos cortinados e escrevo-te sobre estas ultimas lagrimas que me secaram na pele. Amo-te como nunca achei possível. Como nunca me achei capaz. Mas a verdade é que te amo e esse será sempre um motor para perceber que no mundo o que se perde e se ganha é demasiado para admitir a individualidade como uma condição. Vivo de ti e da certeza que compensarás sempre tudo. Tudo, tudo... Da certeza de que sobre as lagrimas secas, outras tantas hei-de chorar. Por ti...

4 comentários:

eu disse...

coloque novamente a canção que estava no ultimo post please...
eu!

Andreia Ferreira disse...

Oh Beatriz....... Um abraço apertado!

Beijinho!

Filipe Oliveira disse...

Onde nos levam os caminhos que nos separam, que têm flores que só tu vês?

São floridos os teus olhos quando me olhas.

Crê em mim, ou não crês?

Dói não ter caminhos assim.

Mas dói mais tê-los, e não em mim.
(fernando alves)

Bjs

Anónimo disse...

Haja sempre essa energia remanescente em ti.

Que diferente... a tua escrita se aperesenta! Mas eu continuo a gostar :)




(aesir-cn.blogspot)