27/01/2007

[young girl in blanket]

Tenho pena que sejamos dois a volta de um mesmo dilema. Os corpos que se entregam, as almas que vão ficando para trás, os temas sempre mal discutidos, os afectos inadvertidamente mal estudados. As vidas, que por acaso até são nossas, todas elas em suspenso, como quem espera por uma espera sem final aparente, perseguindo a felicidade nas causas certas pelos motivos errados. Temos todos as mãos frias e doem-nos as costas: o pensamento fica cada vez mais pesado, e existe um vulcão de insatisfação dentro de nós dois a exigir que sejamos senhores das nossas vidas outra vez, tal como quando não tínhamos aparecido ainda aos olhos do mundo e éramos ninguém. Desculpa se te passei a frente e não te guardei lugar. Não penso em ti a cada instante. Penso nele. Porque sei que não posso olhar para ti como tendo a olhar, nem partilhar contigo o bocadinho de insuficiência que sou. Tal seria amar-te como eu nunca disse que te amava nem amo. Tal seria responder à incondicionalidade do que sinto, não importa quantos homens, nem quantas mulheres existam no mundo. Tu és especial. Bastante. Mas mesmo assim, tantas vezes não me chegas e eu procuro-te nos lugares onde te procurei tantas vezes antes de te achar. E encontro o calor que é dele, a mão quente e aberta que encaixa na minha alma gelada, como em tantas outras almas que lhe serviram como eu lhe sirvo agora.E só o lamento quando tudo em ti é afinal feito à medida do meu entendimento.



Imagem d Alexei Antonov

4 comentários:

maria . disse...

e me doi a alma
e me parte a consciencia
toda razao que eu nao queria ter
ao saber que nao vou me apaixonar por ele.

talvez eu devesse
mas nao consigo
simplesmente nao consigo
e me sinto morta.
congelada
despedaçada
normal, como sempre.

borrowing me disse...

nem sempre ele parece estar ao nosso lado
mas está
apenas um pouco mais atrás

bjs

Vanessa disse...

Não consigo dizer nada sobre este texto. A sério...

Beijinhos*

Aesis disse...

(ainda estou para conhecer alguém tão sincero quanto a Vanessa!)

Sempre que te leio a ti, incorro no exercício mental de pensar nos melhores blogues que conheço e pensar nessa mesma qualidade, é admitir-te inequivocamente como sua natural representante.