24/06/2007


Esta é a linha do entendimento que fazemos das coisas. Linear. Linearidade. Linearmente. Capazmente, com um inicio e um fim, não importa se partimos de A para B, ou de B para A.

É por isso que a matemática é importante para os que se preocupam com os pormenores. Porque matematicamente nenhum caminho é igual conforme a perspectiva que temos. Será sempre diferente, a paisagem, o módulo da força motriz que te empurra numa viagem de regresso, os custos do coração, a traumatologia de um sorriso captado cedo de mais. O que eu sei é que os felizes não concebem filosofias. Vivem-nas e melhoram-nas. Os felizes não escrevem poesia. Nem sequer má poesia. O que eu sei é que serei sempre incompleta: faltar-me-ão sempre a felicidade dos tontos ou as palavras dos lúcidos. As mãos cheias de tudo ou o medo de perde-las. Faltar-me-á sempre paixão pela vida ou a própria vida. Nunca terei as duas coisas em simultâneo. Nunca serei completa. Quer eu enviese pelos caminhos de sempre ou por novos destinos. Quer eu aprenda a amar-te como amam os tontos, quer eu te minta como mentem os lúcidos.Mas isso agora não importa. Não sei escrever-te com postulados lógicos para que depois possas deduzir que sou assim ou assado. Eu sou um emaranhado de sentimentos que se renovam de hora a hora, segundo o que a matemática e as circunstancias ditarem. Por isso preciso que me conquistes todos os dias. Preciso que sejas difícil. Um mistério que me afunda no calor mais ténue do mundo e que permanece insolúvel.

10 comentários:

CNS disse...

"Os felizes não escrevem poesia"
Conheci uma vez alguém que me disse que depois de ser amado nunca mais tinha escrito um verso. Que deixara de fazer sentido...

Rebirth disse...

Não sei se a matemática, em toda a sua grandeza, poderá alguma vez sistematizar os sentimentos, emaranhados e mutáveis como os descreves. O sentir é o dom de uma vida, e muito da sua arte e valor residem em transmiti-lo, não em ocultá-lo.

A felicidade talvez resida em procurar sem nunca encontrar verdadeiramente, em perseguir o mistério que nunca se resolve; irónico, não é?

Saberemos realmente quem é feliz?

Vanessa disse...

Apresenta-me alguém que seja completo (seja lá o que isso for) e depois falamos, pode ser?

:D

Faltou-me um bocadinho assim...

Beijinhos*

Mateso disse...

"as mãos cheias de tudo ou o medo de perdê-las"
Sei que a vida é "uma mão cheia de nada e e oura de coisa nenhuma", mas para além de vazios e opacidades, existe, também,a lógica imuável da razão que nos impele sempre para o amanhã... na vã hipótese da busca da felicidade algures...
Bom, como sempre.
Bj.

Andreia Ferreira disse...

Sim, acho que tens razão. A felicidade afasta a poesia... a capacidade de escrita... :)

...........

Um beijinho!

Klatuu o embuçado disse...

A matemática não é metafísica... mede o mundo, mas nada pode dizer da alma humana... Por outro lado, são os que anseiam a felicidade que fazem a filosofia e a poesia.

Dark kiss.

Abssinto disse...

Vontade de cantar com o outro "Quem me diz onde é a estrada?"

bj

Vanessa disse...

Gosto da frase ali ao lado... :)

Beijinhos*

Paulo Astro disse...

"matematicamente nenhum caminho é igual conforme a perspectiva que temos";

A matemática é uma invenção das pessoas. Será também a felicidade uma invenção?

"Os felizes não escrevem poesia. Nem sequer má poesia."

Se estou feliz não escrevo poesia, mas a poesia não dá felicidade aos que a escrevem?

"O que eu sei é que serei sempre incompleta"

Se me sinto imcompleto é porque já me senti completo, cheio de qualquer coisa. Então não serei sempre imcompleto. Serei umas vezes incompleto e outras completo. Como as ondas numa praia que ora se chegam, ora se afastam e que no entanto fazem parte da manifestação do imenso mar. ;)

eyes shut disse...

somos um emaranhado de mundos à procura de nós...