14/03/2007


Pode faltar tudo. Faltar tempo, faltar espaço, faltar ideias claras e óbvias a seguir os gestos que fazemos. Pode faltar-nos o chão, pode não haver chuva que seja suficiente, nem sol que nos contente. Pode não haver lugar para nós, pode não existir certeza sobre coisa nenhuma, pode-se tudo de repente resumir a dogmas e hipóteses, esgares de pensamento a dançar sobre a falta de tudo, caindo aos poucos na convicção de nada, na firmeza de coisa nenhuma.
Pode faltar-me tudo. Porque o Tudo que restar ser-me-á suficiente. Porque existem Tudos que compreendem o tudo e o nada e Esses não me vão faltar. Mesmo que da existência deles eu não tenha certeza. Mesmo que tudo o que me restar seja um Nada, nada denso, nada certo, a fugir-se-me das mãos e a correr para o incerto que alguém me prometeu logo ali ao virar da esquina. Pode faltar-me tudo, que eu hei-de acreditar provavelmente que sobrará sempre alguma coisa a segurar-me aos dias, nem que seja um ideário, um sonho de contornos baços e consumidos, um universo limitado e abstracto a suportar o que sou e a permitir que ainda o Seja. Não importa. Pode faltar-me absolutamente tudo, que eu não vou acreditar que tal coisa seja, alguma vez, possível. E depois… que importância teria perder o que não se conquistou ainda? Que importância perder-me se não fui, alguma vez, encontrada inteira? Que importância perder-me ou encontrar-me se não acredito que tal seja possível?
E depois, que importância escrever sobre um tudo e um nada, de fronteira tão esbatida e imprecisa, onde já nada é razoável, mas latente de extremos, de posições demarcadas, de tolerância zero. Onde já não há nada que se perca, senão o tudo ou o nada, jamais um meio termo de uma parte de nós ou de um outro que deixamos cair enquanto nas lembranças ainda havia espaço para nós. Para nós dois.

3 comentários:

Aesis disse...

Pode faltar-te realmente tudo, porque de tudo ninguém sabe sequer o que pensar.
"Latente de xtremos" escreves... é confortável a percepção de tal e admirável continua a ser o tamanho engenho que possuis, que te permite determiná-lo.
Sim... corres perigos Bi, e depois?
O engenho, confere-te a clarividência que me apercebi em mim já algo tarde demais!
O momento das tuas palavras escritas são bem contrastantes com a tua própria diuturnidade, certo?

isabel mendes ferreira disse...

pode faltar tudo menos Tu!


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brilhante Beatriz!




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sincero beijo de sincero respeito pelo e como escreves.

Rafaela disse...

+*_/\_
.*. >,"< * + * . +
*´¨) "O destino da tua vida és tu!
¸.*´ A nossa vida não pode ser o que os
*´¨) outros querem que ela seja.
¸.*´ Se ficarmos a olhar para o que as outras
*´¨) pessoas pensam ou dizem, jamais faremos
¸.*´ algo que verdadeiramente satisfaça o nosso
¸.*´ coração."
*´¨)
¸.•´¸.•*´¨)Tenha um LINDO DIA!!
(¸.•´ (¸.•`*Bjus...