07/11/2006


Pressinto que a passividade dos dias mudou. O ritmo das horas, as viagens de comboio, a importância das gotas de chuva acumulando-se na consciência. Que tudo isso mudou. E a nostalgia. A nostalgia guardada para os momentos em que a mereço. O rancor, com quem tantas vezes me deitei, usado como se usam medalhas, como se ostentam conquistas, conquistas que tiveram afinal o fim sempre tão obvio, sempre tão perto.
Desculpa se falo sempre do mesmo. Desculpa se não sou como tu. Às vezes lembro-me que não falo para ti e ignoro que possas acreditar que sou apenas isto. Mas o que sobra por dizer, por mais que diga, é sempre tanto: às vezes ideia soltas, ideias soltas no espaço livre do pensamento; às vezes apenas folhas, e semblantes, e sensações: rasgadas à pressa ou por engano do toque morno das tuas mãos.
Às vezes um nada, que não consegue ser em palavras apenas nada. Às vezes o frio, e não apenas o frio, mas o frio que sinto para lá da pele, e, de pele em pele, um frio que persiste à passividade dos dias e aos encontros furtivos dos meus olhos com o vácuo. Às vezes só o ritmo da chuva: o calor, a quietude da protecção dos lençóis, acomodada longe de tudo, especialmente da noite. Às vezes, tanta coisa que não deves saber por mim. Que talvez já saibas. Que talvez tenhas sempre sabido.

8 comentários:

Vanessa disse...

Entre o tudo e o nada, a passividade deixa de o ser num abrir e fechar de olhos...

Beijinho grande*

S. disse...

obrigado pela visita ao meu blog. queria retribuir com um comentário decente, um comentário ponderado e que mostrasse que entendia verdadeiramente o que dizias mas neste momento não sou capaz por isso fico-me por este.

*

Anónimo disse...

pois é menina...
gosto do teu espaço! e gostei do teu comentário...tão verdadeiro e correcto. E sei lá...tenho um pressentimento que já te conheço...hmm...a escrita não me é estranha...confessa lá..:D
beijinhos!

PiresF disse...

Olá!… querida amiga Ninguém (B).

Conheço este texto, conheço este escrever que te acompanha como uma impressão digital.

Bem-vinda.

Enorme abraço.

Beatriz disse...

Confesso. :)

Corvo Negro disse...

Sejas bem regressada.
Anjo alado... hum... voas comigo?
;)

Anónimo disse...

Bem-vinda... ao teu pesadelo...

Ana Sofia Cavadas disse...

Olá!!

É a primeira vez que por aqui passo e devo dizer que as tuas palavras me prenderam aqui, por muito tempo.
Continua a escrever, continua a transpôr para o papel pequenos "nadas", porque, para quem está deste lado, eles são tudo.

Um beijo,

Sofia.