07/04/2011

Cartas de Lille XVI


your little heart by ~mala-lesbia

Não sei que consequências virão deste desatino, mas neste momento levo comigo o peso e a tristeza de ter encerrado o que foram, talvez, os melhores dias da minha vida. Partir assim, num impulso quase virgem, fez-me ver o quão isto não passa de um sonho tolo, irrepetível, onde liberdade e desprendimento começam no cruzar das fronteiras. Foi mágico, sabes? Perder-me assim nos abraços dos amigos, na intimidade dos nossos melhores amigos, no encanto dos desconhecidos que me deram abrigo, nos olhos azuis dos homens que procuraram a minha boca. Bonn, Köln, Amsterdam. Sinto-me ainda trémula e gelada pela pressa da partida. Há 6 horas que parti e parece que passaram 5 minutos desde que o deixei no cais da estação.

O que ele não sabe é que tu ligaste ontem à noite, enquanto ele dormia e que, apesar de tudo, eu não percebi o que me querias dizer. A vida seguiu o seu curso e eu olho para trás apenas para não conseguir perceber como vim aqui parar. Sou uma mulher de ideias e reacções fáceis, mas desfruto apenas dos rituais das chávenas de café que antecedem tudo o resto.

No meu espírito, contudo, nada mais que a insatisfação e a amargura das coisas precárias. O “Adeus, até um dia” que faz da nossa vida um eterno livro de repetições felizes, que jamais nos contentam. Foi bom demais para ser verdade, e no fim, tarde demais, percebi que nunca passou de uma mentira.

3 comentários:

Mikhael disse...

Mentira! Terá sido?
Saberás tu tanto sobre a verdade?








;)

Beatriz disse...

Tenho tantas perguntas para te fazer.

Mikhael disse...

Eu sei.









Tanto quanto as sei aguardar...