10/07/2008

Cartas de Coimbra XIV



É a simplicidade e linearidade desta música que me falam todos os dias de ti. A vontade a queimar a impotência de não podermos voltar atrás. A solidão que sentimos quando o nosso quarto ficou vazio outra vez. As mãos que nos tremeram quando aquele abraço não aconteceu.
As flores. As flores que murcharam, não importa o que tentámos fazer por elas. O sistema de promessas que guardámos no fundo do bolso das calças. As palavras atiradas. As palavras que não ouvimos, as que não dissemos. O som do piano. O dedilhar de um teclado de um computador. De um computador num sítio qualquer onde reunimos o que sobrou de nós. O vento, as conversas alheias que nos chegam entre os transtornos da vida dos outros. As pessoas infelizes a partilharem connosco o comboio. Quem queriamos ter sido e não queremos mais. O destino das cartas de amor que escreveste mas que nunca enviaste. Ou que enviaste e pediste de volta. Tudo, meu amor, tudo... Tudo o que te acontece e me acontece a mim também, e que me leva de volta ao dia em que tudo o que tinha caiu ao chão. Ao dia em que dormir custou menos, acordar custou mais. Porque tudo é fácil quando, vendo bem, não é assim tão importante. Quando, vendo melhor, só custa se alguma vez acreditares que vai durar para sempre. Ou que vai durar tempo suficiente para que no próximo Natal ainda lá estejas – como prometeste que estarias e não estiveste. Mas sim, só custa se for realmente importante. E hoje só preciso de acreditar que sempre que te procurar, te vou encontrar. Te vou encontrar a tocar para mim, na volta dos acordes que nem tu sabes, mas que nos sonhos existem. Mas que apenas nos sonhos existem.

1 comentário:

Filipe Oliveira disse...

Amor
Como podemos saber se não tentarmos.