13/12/2006



Era capaz de me apaixonar por isto aqui. Pela frescura do que ainda é novo e tem tanto para me revelar. Pelos reflexos de solidão, pela imagem que encontro em mim e no fundo de água parada que ainda balança nos teus olhos. Não tolero mentir. E na proximidade de tantos segredos, que eu não fui feita para revelar, apetece-me esta paz, este mistério maior que tudo que acontece no meu mundo, este verde e este castanho, este cheiro a terra molhada, a caminhos distendidos e apagados entre o chão que as folhas deviam esconder; este romper da madrugada enquanto ainda sonho para acordar e saber que só tu me esperas, em longitudes onde nem o sonho podia compensar.
As coisas não deviam ser assim. E tu nunca devias ter seguido no paralelo da tua realidade sem saber quantos mistérios maiores que tudo a vida me prometeu. Sinto a tua falta e tu entendes isso quando lês o que os meus olhos dizem. E só o lamentas. E só esperas um dia acordar e saber que, longe, encontrei um porto calmo de abrigo, onde ao longe se avista a utopia de um silêncio que eu nunca desejei.
E sim, era capaz de me apaixonar por isto aqui. E de Ser em conformidade com o que a alma pedisse que fosse. Sem pressas, sem temor, sem a cor do entardecer falando-me de ti. Sem um rumor que não o da água a passar por mim; sem o sentir que se altera e as esperas indefinidas de um vento que o Tempo esqueceu. Seria capaz de Ser apenas. Sem medir as palavras, o tempo e a forma como te as digo e te as faço entender. Sem rancor, sem culpa, sem sequer noção completa do espaço e das formas. Capaz apenas de me entregar aos cheiros, aos toques, aos sons. À natureza de novo descoberta na imagem de uma fantasia. Seria em conformidade com o que alma me pedisse que fosse. E tu não serias senão as sombras ondulante de um fundo de água parada que ainda hoje balança nos teus olhos.

3 comentários:

Luciana disse...

e cada vez que ele começa a ler meus olhos, eu os fecho com o maximo de força que tenho e desejo bem fundo que pudesse os arrancar com minhas próprias mãos, antes que ele veja quanto amor eu escondo aqui dentro...

Mily disse...

Olá Beatriz! Eu também sou Beatriz! E vim, confesso, movida pela curiosidade do nome constado no blog do amigo Bill. Chamam-me, porém, de Mily, aqui nessas paragens bloguistas, como também familiares e amigos. Enfim, um nome é apenas um nome, até que o chamar do 'outro' lhe dê uma identidade. Ou o nosso próprio olhar para dentro de nós mesmos...

Divagando... apenas divagando, tentando encontrar palavras que definam o momento bonito que vivi aqui lendo teus escritos, tão belos, sentidos, profundos, buscados, sente-se, lá no mergulhão da alma.

O conto de Natal... um lamento construído de lembranças, de momento atual, e de uma profunda dor. Uma narrativa soberba, eu diria. Algo assim, que vindo apenas de uma produção literária, chegou fundo na alma.

Adorei o título do teu blog!

Tocou-me imensamente a postagem atual... nada a falar, apenas sentir!

Enfim, Beatriz, prazer em te conhecer! Prazer ter estado aqui! Se não for incômodo, prometo voltar.

Ficam beijos, ficam sorrisos, ficam flores... são mimos que gosto de deixar nos lugares que vou visitar. Sempre com muito carinho!

Beatriz disse...

:)