25/08/2010

Cartas de Lisboa XII

by ~nikolinelr
Vamos ser patéticos. Sinto-me sozinha. Dentro de dois dias vou viver para outro país. Queria emoção nas despedidas, comoção, tristeza, as últimas conversas com os amigos e os conhecidos que nos apoiam e vão sentir a nossa falta. Mas não foi assim. Não é assim. Para mim, houve apenas uma palmadinha nas costas, um sorriso circunstancial e um Bone voyage arrotado sem me olharem na cara. Já experimentei o espalhafato. Todas as formas de desespero: “hey estou de partida, ninguém vai sentir a minha falta?”. Pois, ninguém. Sou a miúda transparente. A que não se vê, a que não aquece nem arrefece ninguém. Tenho muita inveja, por menos politicamente correcto que isso seja. Tenho inveja dos que terão um pequeno exército a torcer para que voltem depressa. Dos que se sentem queridos e apoiados. Porque no fundo, o problema é esse. É ir embora, forçar os nossos limites e não sentirmos apoio à retaguarda.
Afinal, isto tem tudo para correr mal.

1 comentário:

rm disse...

Mas olha que se correr bem... Nunca mais te vais lembrar que não tiveste o adeus que pretendias!