Tenho Medo. Por favor, lê-me nas entrelinhas.
«E ele me conhece o suficiente para saber que eu poderia até receber um estranho, mas nunca abriria a porta para alguém que de fato quisesse entrar.» CHICO
21/01/2010
10/01/2010
Cartas de Coimbra XXXVIII
Durmo devagar porque preciso de toda a paz para ver a vida em retrospectiva, sem que isso me pare. É o medo de que todos falam, a desconfiança que nos forra o coração, a desventura de acreditar em coisas reais, que moram na porta ao lado e nos tiram o prazer de quase tudo. Os empurrões das multidões deixam-me quase sempre indisponível para estar bem. Já esgotei todas as caras com que podia fingir, já usei todas as frases de conveniência. Do outro lado da estrada, sinto o frio de um mundo que nasceu da nossa arrogância e principalmente do nosso desespero. Não foi isto que eu escolhi para mim. Não foi isto que eu desejei a ninguém.
Na última noite do ano, não contei as doze badaladas, bebi o meu e o teu champanhe, chorei e disse o que não sentia. Tive a certeza que ires embora será, um dia, a coisa mais anti-natural que me poderão fazer. Mas acabarei por me habituar à ideia.
À meia noite estavas lá tu, e a chuva, e o barulho, e o frio. Estavam as coisas irrelevantes, a cidade e a nossa própria estupidez. Demos por nós a tropeçar nos lugares onde nunca quisemos voltar. A desafiar o tempo, a fragilidade dos nossos momentos, as promessas que não podemos nem devemos cumprir. O que eu não sei, dificilmente me magoará e por isso fazemos de conta que a eternidade nos cabe nas mãos cada vez que trocamos novamente um primeiro beijo. Já não sou capaz de mentir, nem de tornar as coisas mais fáceis. Tocar-te já não me queima apenas por fora. Quero a parte de ti que não tens para dar. A tua fé, a tua tranquilidade. No fundo, não é que isso tenha importância, porque não tem. Um dia deixo-te e deixo-te exactamente porque te amo. Nas entre-linhas, é isso que me pedes e eu escuto o que tu dizes, mesmo que não pareça. Eu só queria um lugar onde não houvessem batalhas, nem abismos, nem tempestades. E gostava que esse lugar fosses tu. Mas acabarei por me habituar à ideia.
Na última noite do ano, não contei as doze badaladas, bebi o meu e o teu champanhe, chorei e disse o que não sentia. Tive a certeza que ires embora será, um dia, a coisa mais anti-natural que me poderão fazer. Mas acabarei por me habituar à ideia.
À meia noite estavas lá tu, e a chuva, e o barulho, e o frio. Estavam as coisas irrelevantes, a cidade e a nossa própria estupidez. Demos por nós a tropeçar nos lugares onde nunca quisemos voltar. A desafiar o tempo, a fragilidade dos nossos momentos, as promessas que não podemos nem devemos cumprir. O que eu não sei, dificilmente me magoará e por isso fazemos de conta que a eternidade nos cabe nas mãos cada vez que trocamos novamente um primeiro beijo. Já não sou capaz de mentir, nem de tornar as coisas mais fáceis. Tocar-te já não me queima apenas por fora. Quero a parte de ti que não tens para dar. A tua fé, a tua tranquilidade. No fundo, não é que isso tenha importância, porque não tem. Um dia deixo-te e deixo-te exactamente porque te amo. Nas entre-linhas, é isso que me pedes e eu escuto o que tu dizes, mesmo que não pareça. Eu só queria um lugar onde não houvessem batalhas, nem abismos, nem tempestades. E gostava que esse lugar fosses tu. Mas acabarei por me habituar à ideia.
12/12/2009
Cartas de Coimbra XXXVII
Percebi talvez que fugir nunca vai realmente adiantar de nada. As batalhas perdem-se na mesma, não importa com quanta força fechemos os olhos. Na rádio vai tocar sempre a mesma música à hora errada, por muito que a gente finja. E a gente finge para se poder aguentar. Na nossa concha, sabemos coisas que mais ninguém sabe e vemos coisas que mais ninguém vê: o lançar dos dados a definir a história dos nossos acasos e dos nossos riscos; a estúpidez de um lápiz azul a rasurar-nos, a excluir-nos e a isolar-nos.
Hoje percebi que ficar e ver as coisas acontecerem talvez não nos mude tanto assim. No fundo eu sei que vai ficar tudo bem. E quando ficar, tomara que seja para ser diferente mas acima de tudo irreversível. Para que não doa mais. Para que não doa como tantas vezes nos doeu. Para que não doa como ainda nos dói. Às duas.
Hoje sei que se olhar bem de frente não me vou atraiçoar tanto assim. Vou esperar pela hora certa de dizer, pela hora certa de virar as costas, pela hora certa de ir embora de vez. A solidão é um lugar comum, por muito que te apliques, e haverá sempre um erro de simetria entre nós dois. A música na rádio diz que apenas um beco triste e vazio dará eco a quem nunca teve voz. Este é o meu beco, amor. O meu verdadeiro beco. E isso enche-me de medo.
Tenho medo que me vejam por dentro e desfaçam em nada os emaranhados de espelhos partidos que trago comigo. Quando nos faltam alicerces, até as más ideias nos suportam e nos tentam manter de pé. Porque, no fim da jornada, tudo isto será um quadro de loucura e perder aos poucos o compasso de uma vida normal não nos fará piores pessoas, nem tão pouco piores mulheres.
Tomara que entendas tudo isto. Esta podia ser a última carta, mas não consigo abdicar do significado que tem poder amar-te mesmo assim, tão absurdamente longe de ti. Um dia isto será talvez a única coisa que vai restar, da minha voz e de mim própria. A vida será para sempre aquele último comboio em que entrei e que me irá atravessar vezes sem conta, até que finalmente já não saberemos como é estar em casa.
Ainda bem que (ainda) aí estás.
Hoje percebi que ficar e ver as coisas acontecerem talvez não nos mude tanto assim. No fundo eu sei que vai ficar tudo bem. E quando ficar, tomara que seja para ser diferente mas acima de tudo irreversível. Para que não doa mais. Para que não doa como tantas vezes nos doeu. Para que não doa como ainda nos dói. Às duas.
Hoje sei que se olhar bem de frente não me vou atraiçoar tanto assim. Vou esperar pela hora certa de dizer, pela hora certa de virar as costas, pela hora certa de ir embora de vez. A solidão é um lugar comum, por muito que te apliques, e haverá sempre um erro de simetria entre nós dois. A música na rádio diz que apenas um beco triste e vazio dará eco a quem nunca teve voz. Este é o meu beco, amor. O meu verdadeiro beco. E isso enche-me de medo.
Tenho medo que me vejam por dentro e desfaçam em nada os emaranhados de espelhos partidos que trago comigo. Quando nos faltam alicerces, até as más ideias nos suportam e nos tentam manter de pé. Porque, no fim da jornada, tudo isto será um quadro de loucura e perder aos poucos o compasso de uma vida normal não nos fará piores pessoas, nem tão pouco piores mulheres.
Tomara que entendas tudo isto. Esta podia ser a última carta, mas não consigo abdicar do significado que tem poder amar-te mesmo assim, tão absurdamente longe de ti. Um dia isto será talvez a única coisa que vai restar, da minha voz e de mim própria. A vida será para sempre aquele último comboio em que entrei e que me irá atravessar vezes sem conta, até que finalmente já não saberemos como é estar em casa.
Ainda bem que (ainda) aí estás.
03/12/2009
Cartas de Coimbra XXXVI
Nunca direi porque é que naquela noite me fui embora. Há mentiras que fazem todo o sentido, quando disso depende tudo o resto. Nunca direi porquê um teatro tão mal encenado: às vezes procuramos refúgio nos sítios mais desadequados e isso acaba inevitavelmente por nos envergonhar. Principalmente quando o refúgio somos nós; ou o nosso regresso a casa, ou o constragimento que é decidir de impulso que algo está mal e nós não somos capazes de continuar a fingir.
Nunca direi porquê, precisamente naquela noite, sair pela porta dos fundos. Eles olham e até sabem que minto sobre quase tudo. E para mim a porta dos fundos será sempre uma fuga aos problemas, uma saída que o pânico me mostra onde fica, um poço de ecos onde apetece guardar as memórias más, o despeito e a vulgariedade.
Nessa noite, deitei-me e sonhei que era autista e que as coisas não seriam capazes de me magoar outra vez. Nessa mesma noite, saí pela porta dos fundos sem dizer nada porque não eram apenas naúseas, mas qualquer coisa que me ardia em todos os sítios, que me sugava as palavras boas e me gelava a ponta dos dedos. Saí por impulso, por inconsciência, por necessidade e por tristeza. Saí porque estava sozinha e porque precisava de estar sozinha. Saí por raiva, ou por capricho, ou por preguiça, nem sei... Saí porque a noite lá fora não era mais fria que as ideias, não era tão inesperada quanto as consequências, não era tão noite quanto o dia seguinte.
Nunca direi porquê, precisamente naquela noite, sair pela porta dos fundos. Eles olham e até sabem que minto sobre quase tudo. E para mim a porta dos fundos será sempre uma fuga aos problemas, uma saída que o pânico me mostra onde fica, um poço de ecos onde apetece guardar as memórias más, o despeito e a vulgariedade.
Nessa noite, deitei-me e sonhei que era autista e que as coisas não seriam capazes de me magoar outra vez. Nessa mesma noite, saí pela porta dos fundos sem dizer nada porque não eram apenas naúseas, mas qualquer coisa que me ardia em todos os sítios, que me sugava as palavras boas e me gelava a ponta dos dedos. Saí por impulso, por inconsciência, por necessidade e por tristeza. Saí porque estava sozinha e porque precisava de estar sozinha. Saí por raiva, ou por capricho, ou por preguiça, nem sei... Saí porque a noite lá fora não era mais fria que as ideias, não era tão inesperada quanto as consequências, não era tão noite quanto o dia seguinte.
11/11/2009
05/11/2009
Cartas de Coimbra XXXV
Existem elas e existimos nós. As que não têm nome. As que não têm rosto. O tudo que cabe sempre aos mesmos, os milagres que aos poucos se corrigem e se acomodam no devido lugar.
Tenho direito a este sentido de posse. A este bocadinho de fé e de cumplicidade que era meu, apesar de tudo. Tenho direito à tristeza, ao abandono, ao nó no estômago que me puxa para baixo, me revolta e me faz uma pessoa pior. Tenho o direito de não querer que me tirem os milagres. Sem eles, fico reduzida ao elo esquecido de uma equação lógica cuja solução todos preveram. Por razões que a medicina não explica, a minha cara é fácil de esquecer. Sou literalmente a multidão que envolve as pessoas bonitas. Faço parte de um contexto, um tijolo sem feições que ninguém reconhece.
Ao voltar atrás, olho com atenção e não sei o que fiz mal. Em que fase da vida perdi o andamento e o direito a ser notada. Talvez tenha sido sempre assim. Talvez tenha sido sempre apenas isto: a combinação de duas mãos nos bolsos e um sorriso triste e transparente.
Perdi o meu melhor amigo com o virar da estação. Seria com ele que ouviria pela última vez a Balada de Despedida do 6º ano Médico. Seria com ele que, um dia, quem sabe, da noite para o dia, eu ficaria adulta. Com quem passaria a última Queima, como se fosse a primeira. E ele choraria, e eu choraria. E esse seria o meu milagre porque pela primeira vez, era algo de genuíno que acontecia sem conquista, sem ressentimento, com a espontâneadade das coisas que secretamente sempre quisemos.
Mas há sortes que não são nossas e, tarde ou cedo, as circunstâncias acabam por fazer também da nossa vida um perfeito cliché.
Tenho direito a este sentido de posse. A este bocadinho de fé e de cumplicidade que era meu, apesar de tudo. Tenho direito à tristeza, ao abandono, ao nó no estômago que me puxa para baixo, me revolta e me faz uma pessoa pior. Tenho o direito de não querer que me tirem os milagres. Sem eles, fico reduzida ao elo esquecido de uma equação lógica cuja solução todos preveram. Por razões que a medicina não explica, a minha cara é fácil de esquecer. Sou literalmente a multidão que envolve as pessoas bonitas. Faço parte de um contexto, um tijolo sem feições que ninguém reconhece.
Ao voltar atrás, olho com atenção e não sei o que fiz mal. Em que fase da vida perdi o andamento e o direito a ser notada. Talvez tenha sido sempre assim. Talvez tenha sido sempre apenas isto: a combinação de duas mãos nos bolsos e um sorriso triste e transparente.
Perdi o meu melhor amigo com o virar da estação. Seria com ele que ouviria pela última vez a Balada de Despedida do 6º ano Médico. Seria com ele que, um dia, quem sabe, da noite para o dia, eu ficaria adulta. Com quem passaria a última Queima, como se fosse a primeira. E ele choraria, e eu choraria. E esse seria o meu milagre porque pela primeira vez, era algo de genuíno que acontecia sem conquista, sem ressentimento, com a espontâneadade das coisas que secretamente sempre quisemos.
Mas há sortes que não são nossas e, tarde ou cedo, as circunstâncias acabam por fazer também da nossa vida um perfeito cliché.
19/10/2009
Cartas de Coimbra XXXIV

Sentia-me à vontade em tudo, isso é verdade, mas ao mesmo tempo nada me satisfazia. Cada alegria fazia-me desejar outra. Ia de festa em festa. Acontecia-me dançar noites a fio, cada vez mais louco com os seres e com a vida. Por vezes, já bastante tarde, nessas noites em que a dança, o álcool leve, o meu desenfreamento, o violento abandono de cada qual, me lançavam para um arroubo ao mesmo tempo lasso e pleno, parecia-me, no extremo da fadiga e no lapso de um segundo, compreender, enfim, o segredo dos seres e do mundo. Mas a fadiga desaparecia no dia seguinte e, com ela, o segredo; e eu atirava-me outra vez.
Albert Camus, in "A Queda"
06/10/2009
Cartas de Coimbra XXXIII
Às vezes volto àquela tarde de chuva, à porta de casa. Ao inadequado que era estarmos os dois sentados no chão da rua, com tanto que conversar. Tenho saudades da sensação boa, da expectativa, do medo miudinho a fazer daqueles dias um mapa de hipóteses que não se esgotavam. Tenho saudades do teu olhar baralhado, tão parvamente franco, tão erradamente deslumbrado. Quem me dera ser a mesma mulher que fui nesse dia. Chegava por mim própria. Era um quadro branco onde não existiam memórias, nem lugares, nem cheiros, nem coisa nenhuma. Contava apenas comigo e estava bem assim. Queriamos um beijo, apenas um beijo e formalizámos as coisas, com a estupidez de uma primeira vez. Estavamos feliz. Meu Deus, como tu estavas feliz! Disseste coisas, falaste em mundos, multiplicaste o sabor que levaste na boca e pediste-me mais. Eu dei-te tudo o que tinha. Sobraram bocadinhos de esperança que já não me alentam. Tenho os bolsos vazios, as costas dobradas, o peito pesado. Fico acordada com a luz apagada à espera de um pensamento que me faça dormir em paz. Não consigo acordar. Quero dormir para sempre.
01/10/2009
Cartas de Coimbra XXXII
Quem é que tu amas? - continuou Murphy. - Eu, tal como sou. Podes desejar o que não existe, não podes amá-lo. - Nada mal, para um Murphy. - Se assim é, por que diabo te esforças tanto para me modificar? Para poderes deixar de me amar - aqui, a voz subiu e atingiu uma nota bastante honrosa - para deixares de estar condenada a amar-me, para seres dispensada de me amar.
Samuel Beckett, in 'Murphy'
16/09/2009
Cartas de Coimbra XXXI
Renewed preface by ~SayinBayan
Tento sentir as pessoas o mais que posso. Devo-te isso. Fazer da vida uma novidade, acomodar-me a novas arestas, preencher-me com outras formas de amor. Seguir em frente, no sentido em que todas as promessas se fecham e se apagam pela última vez. Sou feita de material diferente do teu e já não me importo. Um dia amaste-me mesmo assim. Apesar dos olhos húmidos, dos lábios salgados, do corpo estendido. Foi talvez a melhor lição de humanidade que podia ter tido. A desforra que Deus deu às mulheres por se darem assim. E na volta, cabe-me também a mim jogar aos dados com a própria sorte e escolher acordar num outro dia.
Fui ao fim do espaço e voltei. Deixei-te para trás, carregando-te comigo todos os dias nos sítios que mais doem. É assim todos os dias. O viver sem ti, sem que de facto te vás embora. Estás em todo lado. Nas minhas manhãs e nas minhas noites. O teu cheiro finalmente saiu mas ficou o teu tacto. O teu vazio. O teu medo. Há muito tempo que não importo e leio sozinha estas cartas. Um dia hei-de escrever a última e isso consola-me. Fui capaz de coisas do tamanho do mundo, mas isso não chegou. Fui capaz de coisas que ultrapassaram os teus sonhos, mas talvez nunca te apercebas disso. Não é uma história de amor, mas é a minha história e todas as minhas reticências. Não é um livro mas são as minhas cartas. A minha vida trocada por miúdos. Os meus porquês. Todos os meus segredos e tudo aquilo que me pedes para ter vergonha, mas eu não consigo. Tento sentir as pessoas o mais que posso. Devo-te isso. Deves-me também tu a mim.
Fui ao fim do espaço e voltei. Deixei-te para trás, carregando-te comigo todos os dias nos sítios que mais doem. É assim todos os dias. O viver sem ti, sem que de facto te vás embora. Estás em todo lado. Nas minhas manhãs e nas minhas noites. O teu cheiro finalmente saiu mas ficou o teu tacto. O teu vazio. O teu medo. Há muito tempo que não importo e leio sozinha estas cartas. Um dia hei-de escrever a última e isso consola-me. Fui capaz de coisas do tamanho do mundo, mas isso não chegou. Fui capaz de coisas que ultrapassaram os teus sonhos, mas talvez nunca te apercebas disso. Não é uma história de amor, mas é a minha história e todas as minhas reticências. Não é um livro mas são as minhas cartas. A minha vida trocada por miúdos. Os meus porquês. Todos os meus segredos e tudo aquilo que me pedes para ter vergonha, mas eu não consigo. Tento sentir as pessoas o mais que posso. Devo-te isso. Deves-me também tu a mim.
10/09/2009
Cartas de Lisboa IX
Resumir o significado das coisas será sempre impossível, porque disso dependem as vezes que nos partiram ao meio, nos tiraram a virgindade às ideias, nos proibiram de ser completos. Não temos coragem de produzir mudança, não achamos bem desistir do que nos custou tanto a tornar firme. Somos nós que estamos em causa, no fim de contas. É tudo aquilo que aparentemente nos mantém à tona. Olho para trás e frequentemente tenho vontade de me ter mantido naive, uma eterna virgem sem pressa ou desilusões. Talvez assim o tempo passasse mais devagar. Talvez assim a distância entre nós e o chão fosse mais curta. Porque tudo é afinal uma questão de medo, se nos vamos ou não aguentar, se vamos ou não voltar a ser felizes.
Sei exactamente o que está certo, só não entendo porque tenho de o fazer. Não é de mim dobrar a própria vida em quatro e seguir em frente. Não é de mim ter coragem para devolver o respeito e a dignidade ao meu mundo. Não é de mim querer ficar sem ti. Ficar sozinha.
Sei exactamente o que está certo, só não entendo porque tenho de o fazer. Não é de mim dobrar a própria vida em quatro e seguir em frente. Não é de mim ter coragem para devolver o respeito e a dignidade ao meu mundo. Não é de mim querer ficar sem ti. Ficar sozinha.
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