04/05/2009

Cartas de Coimbra XXVI

naked by ~little-stupid-sophie





Matas-me todos os dias com a tua subtileza. Sinto-a dançar sobre o meu sono, minando tudo o que de bom aconteceu. Desculpa se não te faço feliz. Durmo de dia, trago a vida vestida do avesso, descuido nos promenores. Sinto o martelar das noites na minha cabeça, o ribombar do coração incontrolado, as lágrimas como águas paradas na periferia dos meus olhos fechados. O choro dos amigos, o tic tac das horas de espera, a tua ausência, a tua miragem. Os abraços que não são teus, a presença que não é a tua. As portas que nos batem na cara, com a destreza de quem não sente. É tudo uma questão de nudez, de capricho, de sexo consentido. Faço meus os teus desejos e desejo, assim, por conveniência. Procuramos os dois uma alternativa sem culpa, mas eu no fundo só queria o teu amor: poder lavar-me com as tuas mãos, despir-me com as tuas mãos, prever-me com as tuas mãos. O mundo é um berlinde que me cabe no bolso, mas eu não chego para ti. Eu não sei de ti, não te sinto, não te vejo. Mordo os lábios e ensaio a tua chegada. Prometo ser-te fiel até ao final desta última noite e rezo para que o sejas também. Olho para trás e recordo-me apenas de lençóis revolvidos a meia luz, de um perfume ainda morno, de um beijo na testa a troco de tudo. Do outro lado da estrada, ficaram os meus copos de vinho caídos, uma batina enxuta de lágrimas, um palco vazio. Do outro lado da estrada, ficou Coimbra à mercé das serenatas, à mercé do luto, à mercé das lutas. Coimbra à mercé dos amores de ocasião.

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24/04/2009

Cartas de Coimbra XXV

dissolve by ~colleenyancy

Na verdade esta sou eu, suspensa na paz que é uma vida com as contas pagas e o telefone sem saldo. os amigos cantaram-me um fado de dúvidas, tu ligas para dizer olá e deixas recado. é um registo de dias com maus timmings. gosto de músicas assobiadas. gosto das mãos nos bolsos, das camisas largas, do cabelo em desalinho falando alto a desinibição que não tenho. gosto do sexto sentido das nossas almas gémeas. dos olhos que nos atravessam e que nos dizem, num segundo, mil coisas, sem perguntas, cem respostas. falta-me tacto e, às vezes, faço os outros chorarem. há silêncios duros de aguentar e as palavras levam tempo demais a morrer. o medo é uma ideia gasta, uma música que ficou no ouvido. na verdade esta sou eu, nas paragens de autocarro vazias e frias. as histórias que temos para contar. as músicas e os homens da nossa vida, recuperados dum livro de memórias, de um momento de pouca fé que nos fez recuar e ter de novo 13 anos. penso todos os dias em voltar a dormir no teu corpo como se a eternidade se prolongasse ali e naquele momento, para sempre. os sentidos despertos, o roçar das mãos, o dedilhar dos dedos, o calor que nos queima e apetece, as texturas de todas as nossas preces. Perdoa-me mas às vezes não sou capaz de mais. sigo a ciência dos fortes e dos que sabem fingir. toda eu sou lembranças e coisas tristes. a tremenda e perspicaz vontade de chorar nas horas erradas. os medos que ficam para sempre. Para sempre.
O futuro chegou depressa demais. ontem tivemos os primeiros desgostos, ontem pensámos que nunca seríamos mulheres a sério, ontem tivemos medo de não crescer. o futuro chegou depressa demais e ninguém diria que ainda somos os mesmos. levo as mãos ao rosto e sinto-me igual. o mesmo medo de nunca ser uma mulher a sério. e nos intervalos do tempo, sinto as minhas nove vidas a esgotarem-se com o passar das horas. e faço delas um tributo aos nossos mortos, religiões aparte, apenas porque há lições de vida que só a morte nos dá, e uma delas é o Tempo.

16/04/2009

Cartas de Coimbra XXIV


Colecciono momentos. Momentos de estranheza e vergonha, quando as palavras certas faltaram. Momentos escondida no escuro do anonimato para que ninguém desse por mim. Colecciono flashes também. Flashes de dias nublados, de dias em que nos vimos no espelho e fingimos um olá; flashes de dias como o de hoje: o autocarro que não veio, a piada que morreu sem risos, o sorriso que não teve resposta. O calor de um embaraço, o silêncio a fechar a tua voz e a trancar o que, afinal, não quiseste dizer. Colecciono também imagens, contornos. Colecciono (acima de tudo) medos – o de ficar sozinha, o de estar sozinha, o de fingir e, apesar de tudo, saber que não vale a pena fingir. As pessoas leêm-nos e as pessoas sabem. Mas mesmo assim, não são como cromos nem como namorados, uma colecção completa de medos: medo de se ser de mais, medo de se ser de menos, para todos, para os melhores, para os que eu quero. O medo de falar, o medo de dedos apontados e de segredos contados aos ouvidos. O medo do que os outros pensam. O medo que a insegurança nos engula e faça de nós mentiras. Que a confiança não se conquiste, que a maldade seja um instinto, não uma escolha. Medo que seja tarde de mais, cedo de mais, uma questão redonda que comece e acabe no calor de um refúgio. E tudo transcrito, eu tenho um sonho, e desse sonho uma esperança vã. Um lugar soalheiro, perto do que me faz feliz, deitada nas searas de trigo que me prometeste, no esplendor de se ser velha e poder sentir as coisas como nos filmes. O tempo, a beleza de todas as memórias, o amor que cresceu e que é agora do tamanho das nossas boas decisões. Os filhos, os netos, os bisnetos. As promessas. As ideias que mudaram e que, por isso, acredito que mudarão novamente. A flexibilidade do mundo para que nos deixe criar a nossa vida a partir do pouco, exactamente da forma como a concebemos quando não tinhamos mais nada para além do sonho. E de novo de mãos dadas com o medo, eu tenho uma coleccção de medos que respeito e guardo sob a pele.
2 de Abril, 2009

19/03/2009

Cartas de Coimbra XXIII

ruas de Coimbra

É ao som dos últimos acordes que Coimbra me castiga pelas palavras disparadas em todas as direcções. O nosso sangue hoje é álcool, o nosso sangue é vermelho escuro de um copo de pura estupidez. O nosso sangue hoje é espesso, o nosso sangue hoje é tóxico. O nosso sangue é aquilo que nos burbulha à flor da pele, na ligeireza que é confessar-nos às negras paredes dos recantos mendigos desta cidade. Nada fiz que não escondesse nas entrelinhas um amor maior que a impotência de estar longe de mim própria, que a impotência de ter uma mão cheia de ti e outra sem coisa alguma. Há pedaços de histórias que fomos nós que inventámos, tal era o vazio que consumia o nosso eco. Sobreviver ao que nos tornámos é hoje a tarefa mais dura, o destino mais nobre, a desvantagem de, nestas coisas da vida, a marcha-atrás não existir. Não te peço que me perdoes porque não quero que o faças. Porque não quero que me perdoes a felicidade descartável de uma rotina assim, porque não quero que me olhes por dentro e descubras que és mais feliz sem mim.
Não perdi o seguimento à vontade de morrer lentamente no teu abraço, numa felicidade platónica e meiga. Não perdi o calor dengoso com que prendo o teu corpo ao meu, a tua alma à minha, a tua vida à vida que a sorte ditar. Sou eu da cabeça aos pés, eu antes e depois dos licores destilarem uma noite de altos e baixos, eu quando peço por favor para ouvir a tua voz só mais uma vez. Amo-te com a indiferença dos loucos: preciso de ti, da tua paciência temperada de fogo, do teu cheiro familiar, da tua mão que me segura e que me protege. O que te posso dar é cada vez menos, porque também eu sou cada vez menos. Mas, se me pedisses, cantar-te-ia o rebentar disperso das ondas, as mil cores que existem no sabor da tua lembrança, o único e verdadeiro sentido para tudo o resto.

02/03/2009

Cartas de Coimbra XXII





É tudo uma questão de tempo. Desde o dia em que nasceste, desde aquele fatídico primeiro dia do resto da tua vida, desde o novo recomeço que compraste no virar da estação. Há filmes* que não falam de outra coisa se não de ti próprio. A tua vida no grande ecrãn, a mesma paixão com que jogaste os dados e te esqueceste de arriscar. Perdoa-me se minto, mas vivo de ti como uma árvore de seiva; a virtude de criar raízes bem longe de mim própria; a fidelidade com que te trago comigo em tudo o que de fantástico me acontece. As coisas bonitas, as crianças pequenas, os casais de namorados, o Mondego pintado a lapiz de cera. Sinto Coimbra com a preplexidade de um último adeus e é para ti que construo todas as minhas melhores lembranças. Sei que um dia vou voltar de muito longe e vou procurar-te , vou deitar-me contigo e amar-te pela primeira vez novamente. Vou ousar irresponsavelmente dizer-te que terei meninos não parecidos, mas iguais a ti. Vou falar horas e horas a fio, como se te lesse o futuro no branco dos olhos e te prometesse que a terra, o vento e o mar um dia me hão de caber na palma das mãos.
É tudo uma questão de tempo, repito. Eu não sei dizer de outra forma, o tempo e o espaço têm cheiro e cor e normalmente nome. O meu nome é o teu. A criação invertida de um punhado de anos que serão sempre sobre ti. E em dias assim, eu paro e tento sentir-te como uma memória, o dedilhar dos teus dedos nas minhas costas, o crescer da tua voz soprada ao meu ouvido. O infinito que encontrávamos no sabor das coisas, nos beijos lentos que não tinham tempo, e eram felizes assim.












*The curious case of Benjamin Bunton

15/02/2009

(...)


Acho que ainda estou numa fase da vida em que o secundário foi o período mais inútil que conheci. Preciso falar dele constantemente. No início achei que aliviava, depois tornou-se um hábito. Hoje entendo que faz sentido explicar-me na história daquele dia e hoje, mais que nunca, peço um feedback.


Percebi cedo que não me adaptava às pessoas – àquelas pessoas, entenda-se. Eu queria ir para a faculdade, queria fazer as coisas bem. Era insegura acima de tudo, mas tinhas as minhas convicções, sabia de que cálices não beberia para já, sabia que guerras poderia escolher. Aquelas não eram simplesmente as minhas pessoas.
Um dia aconteceu que os meus colegas de turma quiseram humilhar uma amiga. Se ser-se obesa não era suficiente, escolheram a pessoa mais frágil, a que era mais fácil pisar. E assim surgiram cartazes dela por toda a escola, com versos ordinários, testemunhando só e apenas isto – não gostamos de ti, vales menos que nós. Nesse dia aconteceu eu perceber que era a única, à excepção da visada, que não tinha visto aquele projecto nascer. Naquele dia percebi que aos dezasseis anos não havia ninguém que dissesse: vocês são uns porcos, não valem nada, isso simples e inquestionavelmente não se faz a ninguém! Tirei sozinha os cartazes. Fui a única que a abracei. Os amigos de todos os dias viraram-lhe as costas. Ninguém, porra!, ninguém se indignou, todos se riram. O fato do respeito e da rectidão que vestiam não passava disso mesmo: de aparência. A cobardia nunca foi virtude mas naquele dia enojou-me. Lembro-me – juro que me lembro mesmo! – da sensação de aperto do estômago, do frio, das lagrimas a cairem devagarinho. A raiva veio depois. Veio com o tempo, com a instabilidade da consciência que sabe que devia ter feito mais. Veio porque estava sozinha e isso era pura e simplesmente errado.

Isto teve lugar há quatro anos atrás. Espero que entendam a dimensão desta história, acima de tudo, deste desabafo. Definitivamente não vão sentir a mesma indignação através de um discrição tão sintética.O carácter de quem viveu esse dia estendeu-se a todos os outros dias e a minha voz muda também. De alguma forma acho que podia ter sido mais atingida e tranquiliza-me acreditar que a minha forma de estar me protegeu disso. Por algum motivo, é uma lembrança que não me deixa, que se repete diariamente. Eu sei que fiz muito pouco. Não trago a consciência tranquila. Sei também que não desperdiçaria uma oportunidade de vingança. Uma nova e derradeira oportunidade de reescrever as coisas, de envergonhar as pessoas pequenas, as medíocres, de corrigir as falsas memórias que deixaram.

27/01/2009

Cartas de Coimbra XXI


Eu não contava que chovesse tanto. Tenho ainda a vida inteira para sentir a chuva e por isso eu não contava que hoje, logo hoje, chovesse tanto. Vi o dia chegar pela enésima vez com o trote do comboio. Dormi à espera de acordar já na viagem de regresso. Não me custa estar aqui, custa-me apenas estar longe. Longe do ócio que é parar o relógio e deitar-me contigo para sempre. Quando te olho assim tão perto vejo a vida a fugir-me e a ideia de que tudo o que era pleno, um dia acaba. Escondo-me debaixo dos teus braços, sei que te entrelaças em mim porque me sentes partir. É melhor assim e tu sentes alívio nisso. Vemos as horas a soluçar para nós depressa demais. O nosso amor foi sempre um amor de minutos contados. Hoje foi diferente. Condensados num espaço que era impossivelmente só nosso. Palpando no escuro respostas para todas as dúvidas que recaiem sobre o depois. Perguntamos a todos os beijos onde isto nos leva, onde isto acaba, como não sofrer depois de uma manhã de chuva assim. E quando sais por fim, fica o desejo de que todas aquelas promessas se transformem em motivações, de que todas essas motivações se transformem em respostas, e de que todas essas respostas nos mantenham jovens eternamente. Quando sais por fim, fica o cansaço no corpo, os olhos brilhantes, o meu cheiro e o teu. Fica o silêncio comprometido de um segredo que detruímos os dois. E um dia, quando eu voltar, vou puder olhar-te novamente e beijar-te, sem saber o que mudou desde a última vez. Vou querer saber o que tu nunca vais querer contar. Vou querer estar na tua vida sem que tu deixes. Vou querer voltar atrás e nunca ter sentido assim.

16/01/2009

Cartas de Coimbra XX

As intermitências que são dúvidas, que são limites, que é um destino de tentativas, que é um lugar melhor prometido a quem não foi capaz de lá chegar. O fermento de uma vida que criou em nós a necessidade de protecção, porque falhámos e porque nos cobram o valor que nunca foi nosso. Cair e recomeçar como parte fundamental da história. Sentir que o que fizemos foram gestos vagos, insuficientes, desviados. Não ter frutos. Lutar no universo das pessoas melhores, ser-se sempre pequenino, ser-se sempre dispensável. Às vezes vestimos a invisibilidade para que não se repare nas linhas a vermelho do nosso mundo. Se voltassemos atrás, fariamos diferente. Se voltassemos atrás, fariamos melhor. Mas é mentira. O corpo pregado ao chão pesa mais que a consciência e a vontade de andar. Pesa mais que a infinitude de lições que tirámos dos nossos erros e dos erros dos outros. Pesa mais que o medo de falhar, pesa quase tanto como o hábito de ficar para trás. O nosso corpo pregado ao chão pede socorro e não se acode a si próprio. Escreve poesia, chora o destino, inventa charadas, mas não corre atrás do ponteiro dos relógios. Sabe o tic-tac de cor, tem na boca o sabor das coisas bem faladas, mas não diz, não fala, não faz. O nosso corpo morreu na inércia de querer as coisas sem as conquistar. Morreu nas oportunidades desperdiçadas de fazer as coisas bem. Morreu no tempo esticado a jogar aos dados com a vida. O nosso corpo pregado ao chão perdeu a razão e nós com ele perdemos tudo o resto. Tomara que o relógio espere por nós, tomara que um dia a gente aprenda e corra atrás.

02/01/2009

Cartas de Lisboa VI


Existe uma ideia escondida na ponta dos teus dedos. Uma ideia que soletras na pele da minha mão fechada, no silêncio que é a tentativa de estar perto sem, de facto, estar. Lamento não saber fazer das coisas fáceis. Lembro-me do teu rosto e dos segredos que realmente me tocaram. Foi uma troca, amor. Uma troca de dias e de lugares, eu dei, tu deste, às vezes acho que demos tudo e ficamos sem nada. Amar-te foi talvez a escolha mais difícil. Ceder à tua vontade, aos teus momentos, à tua anarquia. Imprimir na minha ausência a necessidade de estar ligada. Chorar quando não podia. Fingir. Procurar-te nos sinais bizarros das ruas vazias. Sentir o teu contorno no meu quarto a meia luz. Viver com o teu cheiro misturado com o cheiro do mundo que ficou por conhecer. Amar-te foi também a escolha mais cruel. Prender-te. Prender-me. Permitir ao tempo duas vidas. Repetir os lugares, re-inventar as rotinas. Confiar de olhos vendados na promessa de qualquer coisa provisória. Estarmos juntos em vidas separadas. Chamar por ti num grito seco,dizer-te sem que me oiças. Viajar no vento, estar sempre de passagem. Olhar em frente e perceber. Perceber tudo. Perceber as coisas más, as decisões que nos mataram por dentro, a necessidade de mais soluções. Perceber o amor. A raiva. O sabor de um nó na garganta a travar-nos a voz. O assalto consentido de uma noite em que não ficaste para me ver dormir.
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You don’t understand me now,
I wonder if you ever will,
I wonder if you’ll ever try.
Don’t get sad about
All the strange things I wrote,
They faded as the ink dried…
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(D. Fonseca, I see the world through you)

27/12/2008

Cartas de Lisboa V

les tags. by *moumine
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Os lugares comuns que são memórias. Os olhos que não foram teus mas que conheceste, abrigados nas histórias de que ouviste falar. A sala das tristezas, o entrelaçar das linhas que formam novelos de solidão, o desejo de investir corpo a dentro do corpo que apertas contra ti, a vontade brusca de sentir, dividida com o tempo que te resta para fazer o mundo andar. É Natal e os destinos fazem-se por automatismo, com as tradições negligentes dos velhos. Olhar para trás custa, mudar custa demasiadamente mais. A frenética loucura de quem tenta dar sentido à consoada dos sem amor, mas que não consegue e volta ao ponto de partida com menos força, com menos mérito. Tomara que voltes depressa e me ensines de novo como se amam as pessoas versáteis. As vivências vão crescendo connosco e um dia é nelas que nos tornámos. Cinzentos, com a boca a saber a papéis de música e os casacos com o cheiro dos nossos avós. Já ninguém nos muda, tal é o pragmatismo de um destino assim, ditador da nossa forma de estar conforme a forma como vimos os nossos pais morrerem todos os natais. Cresce depressa, peço todos os dias ao filho que não trago dentro de mim. Impacientemente, eu sei que é dele que todos esperam para os tirar da vida vicciosa que foi uma vida sem vícios. Já nada dos contenta, já nada nos muda. O amor inventa-nos todos os dias e eles inventam segredos para o amor não lhes tocar. Quisera eu ganhar as pequenas guerras para nos salvar a todos de uma guerra travada descabidamente em silêncio. Quisera eu chamar as coisas pelos nomes, fugir no sentido proibido da vida, levar comigo apenas a idade em que tudo se define. Ao “tarde de mais” eu chamo de culpa, e à culpa eu chamo família.