20/11/2008

Cartas de Coimbra XIX


regards. by moumine



Ontem sai de casa ao cair da noite, com o sol ainda a desenhar-te no fundo da minha vida. Corri pelos passeios pintados de folhas amarelas, e não cai, nem tropecei, nem chorei, nem tão pouco tive medo. Soprei todo o ar que tinha nos pulmões, fiz voar as folhas, fiz de conta que podia tudo, naquele momento, quiça em todos os instantes que lhe precederam. Senti a tua falta mas não faz mal. Não passou de um lugar-comum, meu amor. E eu até trazia a tua música nos ouvidos – trazia-a apertada contra o coração, demasiadamente espantado de existir.
Ontem sai de casa ao cair da noite, de encontro marcado com as 6 milhões de formas de me fazeres sorrir. Por favor, é segredo e eu tenho a vida toda para te prometer um exclusivo. Há modéstias que não te acentam bem, e eu serei sempre o teu mistério. Promete-me, por favor, que serás perspicaz o suficiente para saberes o que não quero ser, nem aqui nem em lugar nenhum.
Hoje a minha verdade seria mentira há um ano atrás. E eu lamento que nos mintam e que nos obriguem a mentir também. Chamam-lhe ciclo. Eu chamo-lhe pena. Pena dos que suportam desilusões do tamanho das minhas, sem nada que eu possa inverter. O tempo não cura, o tempo só escreve por cima. Apesar do que nos dizem. Quem me dera que estivesses aqui. Não por mim, mas para que vejas, por ti próprio, a vida como eu a vejo. Aqui tudo faz muito mais sentido, porque as emoções nos levam ao limite da honestidade e nenhum de nós consegue passar sozinho por este lugar. Tudo custa muito mais, meu amor, e por isso mesmo, os sorrisos são maiores, os abraços mais fortes, as conversas sérias menos frequentes. Aqui fazemo-nos espelhos uns dos outros, aqui somos ombros amigos a qualquer hora do dia ou da noite, aqui as palavras valem muito pouco.
Ontem sai de casa ao cair da noite e aprovei cada segundo para te prometer que, no virar da semana, voltarei para ti como sempre faço.

10/11/2008

Oxalá...

Fui buscar a iniciativa à porta ao lado, Dança dos Erros. Uma fotografia. Um grupo musical. Dez respostas que sejam títulos de músicas do grupo escolhido. Façam também. Dá que pensar: as infinitas formas de falarmos sobre nós próprios, em linguagem musical, ou nem tão musical assim.

Madredeus. É a minha escolha. Dá-me respostas, não precisa de apresentação nem tradução. Não é tão pouco a minha forma preferida de música . Tenho momentos. Desdobramentos de mim que se lêm melhor à sombra de músicas assim.

A foto... bem, a foto deixo-a aos vossos olhos. Leiam-na à luz da música que se ouve hoje aqui.

1. És homem ou mulher?
E o que é que ficou da Lisboa antiga?
Eu não sei ainda
.
2. Descreve-te:
Diz-me tu que eu nunca sei



3. O que as pessoas acham de ti?

A Barca da Fantasia

O meu sonho acaba tarde
Acordar é que eu não queria


.
4. Como descreves o teu último relacionamento:

Antes de haver Manhã,
Há-de haver Madrugada


.

5. Descreve o estado actual da tua relação com o teu namorado:

Adoro Lisboa
E as histórias que tem
E sei que há muita gente que adora também

.

6. Onde querias estar agora?

Quando avistei ao longe o mar
ali fiquei
parada a olhar
.
.
7. O que pensas a respeito do amor?
Eu sei quem és para mim
Haja o que houver
Espero por ti
.

.
8. Como é a tua vida?
Carreiro Deserto,
Tão longe e tão perto
Anseio Secreto, encontro mais certo


.
9. O que pedirias se pudesses ter só um desejo?

Vem

Sou como tu
da mesma Luz
do mesmo amar
.
.
.

10. Escreve uma frase sábia:
Os pássaros quando morrem caem no céu




30/10/2008

Cartas de Coimbra XVIII




Um dia de cada vez, pedi a mim própria. Os dias maus vão dobrar a esquina e eu vou voltar a contar os dias como quem desfia nervosamente um novelo de lã. Sinto-me transparente, a atravessar multidões nos corredores gelados que são hoje as bibliotecas de cigarros apagados. Sinto o calafrio das correntes de ar a soprar pelas portas trancadas. A promessa de um crime que se fez corações a dentro. Os amigos que nos livram das noites mais frias e que ficam connosco no dobrar da meia noite. Os ditados que se espalham ao ouvido, no acompanhar dos acordes. A canção de Coimbra ensinada pela primeira vez aos caloiros. As nossas capas como a nossa primeira pele, o reconhecimento que vemos nos olhos dos que vivem estes dias ao nosso lado.

Foste tu que me ensinaste a viver dos outros e não de mim. E eu esgotei-me e aprendi contigo quanto vale um amigo. Do amor tirámos a nossa primeira lição de vida. De Coimbra a saudade de tudo o resto para lá de nós próprios. As pessoas surpreendem-nos, mas o amor já não. O amor repete-se a um filme francês sobre a infelicidade de me chamar Beatriz.

Falei de mais na noite em que tudo podia acontecer e nos momentos mais críticos certifiquei-me que era para ti que o que o tempo me arrastava. Choveu-nos em cima e nós brindámos à incoerência das nossas escolhas. Fui, afinal de contas, importante por um dia, indispensável por uma noite. Hoje, tudo isso foram miragens que a própria conta do vinho escondeu e eu olho e dou conta que não podia ser esta a vida que eu sempre quis. Convenceste-me, quase sem dares por isso, que o mundo poderia até ser um lugar melhor. Mas os meus melhores lugares nunca duraram para sempre. Agora sei, de fonte segura, que Coimbra não nos garante coisa nenhuma, apenas e talvez as melhores memórias da nossa vida, apenas e talvez os únicos amigos que alguma vez tivemos.
It's a small crime, And I've got no excuse...

21/10/2008

Cartas de Coimbra XVII

.
.
.
Ainda bem/que o tempo passou/e o amor que acabou/não saiu ...
Ainda bem/que há um fado qualquer/que diz tudo o que vida/não diz ...
Ainda bem que Lisboa não é/a cidade perfeita/para nós ...
.
.
.
.
Acordo todos os dias à espera que me surpreendas. Eu tinha grandes planos para naquele sábado voltar a casa e sentir-me querida por ti e por todos. Era o meu décimo-oitavo aniversário e eu estava à dois meses longe de casa. Achei que a festa surpresa era para mim, achei que ao bater da meia noite me ligarias, achei que teria uma noite sem a angústia de tudo estar longe. Foi apenas mais um dia, lembro-me. A única paz que me trouxeste foi aquele beijo onde te pedi para nunca mais me deixares, beijo este que levaste e com o qual tornaste todos os meus dias desde então um bocadinho piores a cada manhã.
Olhando para trás, chega a dar vontade de rir... eu realmente acreditei que teria uma festa surpresa para lá da porta de casa. Tolices que distância alimenta. Hoje sei que é na passividade e na discrição que a minha vida se encaixa.“Dezoito mais um” era o meu lema, para fazer de novo dezoito anos na semana que estava prestes a virar. Mas depois reparei que estavamos todos ocupados com o mundo pequenino e preverso que temos. Fazer anos a meio da semana tem dessas vantagens! A gente desculpa que não nos possam surpreender porque estamos longe. A gente desculpa que não se lembrem. A gente até que se descuida e chora um bocadinho quando ninguém está a olhar... Mas a gente habitua-se. Habitua-se a pouco. A quase nada. Eu, pessoalmente, já não espero sequer pelas tuas flores que me ficaram prometidas desde há tanto tempo. Já não espero que ligues. Já não espero que queiras ficar mais perto num dia como este, tão igual a todos os outros, quando, lá no fundo, eu só queria que por um dia pudesse ser importante. Dar nas vistas. Ouvir que fico bonita quando sorrio à chuva. Receber abraços, até de estranhos.


E o curioso é que também é de assinalar o 100º texto aqui publicado por mim. É bom que assim seja. Aqui eu sou importante, na ficção e no desejo de uma outra realidade, na transcrição do que fallhou, no tanto que ficou por dizer, quiçá de gritar.

09/10/2008

Registos Futuros de um imbecil

Stouf - Am I Alone, by Pee Ash



« Perguntaste-me o que diria hoje sobre Ela. Não é que importe, não é que alguma vez tenha importado... Ter-me-ia eventualmente perdoado tudo,teria lá estado, fizesse eu o que fizesse. Quando Ele morreu, a minha vida desmoronou também - coisas do acaso, digo a mim mesmo. E no entanto, sinto ainda a minha presença passiva enquanto Ela não chorava. Enquanto ela não chorava apesar do vazio que ficou quando tudo, literalmente, acabou. O caixão desceu à terra e eu vi-lhe nos olhos a luz a fugir. Ainda hoje desespero ao ver um amor assim. Foi há muito tempo, há demasiado tempo ... Ficou a ideia de que era ela que morria e ela quem enterravamos. Custou-me como se assim fosse - e aquele o cenário mais doente que vi até hoje. Ninguém devia perder aos 20 anos a própria velhice. Os sonhos de uma casa e de uma enorme família, o riso, o gosto pelas coisas, a melhor pessoa do mundo, a virtude de amar a certeza de uma vida a dois. Ao pé de tudo isto, todas as minhas escolhas não passaram de enormes asneiras.
Com o tempo, deixei de lhe ligar. Há mais de trinta anos que não oiço a sua voz traçada de álcool e tristeza. E, no entanto, todos estes anos carreguei a culpa de não ter impedido a minha melhor amiga de cair na solidão apática dos que negaram toda e qualquer prancha de salvação. Logo ela, a que menos merecia, a que soubera escolher e acertar à primeira. Logo ela, que reinventou mil formas de sobreviver ao destino. A que trabalhou, estudou e que, de alguma forma, tinha sempre tempo para ouvir o que eu não dizia. A que se arriscava porque se preocupava demais comigo. A que bebeu até cair no dia em que não lhe contei que namorava com a Teresa. A que se fez à estrada para estar ao meu lado quando a Teresa se foi embora. A que esteve sempre na sombra, conformada por eu ser um imbecil.
Lembro-me que era frágil. Lembro-me das vezes em que não aguentou e largou a chorar no meio do café. Chorava de cara voltada e de olhos fechados – como se assim conseguisse que eu não a visse chorar. E depois enxugava a lágrimas com a ponta da camisola, sorria para mim e dizia: “sou uma parva, desculpa”. Tantas vezes que a desculpei! E no entanto, quando ele morreu, não tremeu um bocadinho que fosse. Não falou sequer. O corpo dela estava hirto e gelado quando a abracei, mas nem com isso ela se comoveu. Estava morta por dentro, tive a certeza.»

06/10/2008

Cartas de Coimbra XVI

by Ptashka Ptashka


O que eu faria se não quisesse viver depois de amanhã. Decerto não esconderia o ciúme. Diria de que verdades são feitas as minhas convicções. Da boa verdade e da má verdade. Esforçar-me-ia para fazer sentir mal muita gente; viraria a cara a quem sempre me a virou, desmancharia em mil bocados este sistema ordinário de prepotências e importâncias, onde as vagas para sermos tratados como gente cedo e sempre se esgotaram. Se assim quisesse, juro pelo céu que voltaria atrás para dizer às pessoas o quanto as admiro. Talvez me desse ao luxo de me confessar nos olhos de todos os que enganei. Mas acima de tudo, não esconderia o ciúme. Viveria tão normalmente com o que sinto como se não me pudessem de forma alguma julgar. Como se não me pudessem afectar dentro ou fora da minha pele – tão simplesmente porque me decidira a não viver depois de amanhã.
Por um dia, andaria de corvo ao ombro, aprendendo com a pressa do tempo como vivem os piratas de alcatrão. Daria o corpo à ciência, assinaria todas as petições que me dessem a assinar. Iria à igreja uma última vez e pediria que me lessem de novo a parábola do filho pródigo. Conheceria Coimbra melhor, riscaria do mapa Lisboa e as canções que sobre Ela nos ensinaram. Beberia até cair. Sim... beberia até sentir que uma mulher tudo aguenta. Falaria alto, alto o bastante para saber que por uma vez me conseguia fazer ouvir. Votaria Jerónimo. Não por convicção, mas por ousadia. Voltaria a acusar-te de todo o sofrimento que trouxeste. De todos os dias difíceis, de todas as vontades inesperadas de chorar, de todas as noites em que voltei sozinha para casa apertando nas mãos uma solidão que não me pertencia.
E quando já não me apetecesse mais nada, deitar-me-ia cansada no teu abraço e esperaria um dia reencarnar na pele de umas perfeita autista.

11/09/2008

Cartas de Coimbra XV



É preciso não dançar o I will survive para alguma coisa estar obviamente mal. O calor da bebida ja passou, mas tivemos tempo suficiente para fazer os disparates de sempre e de ouvir o que não quisemos de forma nenhuma ouvir. A noite aconteceu e são ainda onze e meia e eu só queria duvidar menos sobre tudo o que aconteceu hoje aqui. Só queria chorar menos com as coisas bonitas que nos dizem nas luzes alternadas do escuro. Só queria não ter de ir agora para casa, despedindo-me com a promessa de estar tudo bem. Só queria que os segredos que escondem de nós não nos mantivessem tanto assim, na expectativa de um dia acordarmos e não sabermos a quem devemos perguntar pelo que aconteceu na noite passada.
É preciso que de repente a música já não soe para perceber que as oportunidades são cada vez menos e voltar atrás impossível. Desprevenida e injustamente impossível. Não há mais cerveja na mesa, o álcool não chega para nenhum de nós. De outra forma, ele teria falado mais e eu teria ouvido menos. E talvez hoje ainda valesse a pena esquecer as boas histórias que se partilharam com os amigos. The good times are killing me, disse-me uma vez. E eu repeti baixinho para que ninguém ouvisse a voz que me vinha de dentro e me gritava por raiva. Bem vinda a Coimbra, pensei. Fechei a porta e dessa noite não restou sequer a ressaca. Apenas multidões de perguntas sobre o onde, o quando e o porquê de todas as coisas que nos foram acontencendo como consequências das nossas melhores intenções.

18/08/2008

Cartas de Lisboa III

Divorce, by Bogac Erguvenc


Às vezes acho que sei qual é afinal o teu segredo. Estás bem porque te conformas. E a felicidade, dizem, não é afinal apenas dos tontos, mas principalmente dos que se conformam.

Eu estava bem, há muito tempo atrás. Sem ti e, por sinal, sem ele também. Conformada com as coisas pequenas, com os detalhes bonitos que só existiam no vagar de quem se sente sozinho. Voltei a Alcains, desta vez para te enganar. E depois dei conta que me enganava eu por ti e senti-me transparente. Achei-me tal uma coisa bem simples de se perceber. Só queria que reparassem em mim. Que cada pergunta e cada resposta tivesse retorno. Que cada sorriso se convertesse na certeza de nunca ser deixada para trás. Só queria ser importante para ele e, eventualmente, para ti. Ter crescido noutro sentido, com as responsabilidade nas mãos e não às costas. Só queria ter-me chegado à vida pondo um pé à frente do outro, ouvindo o que toda a gente gosta de ouvir, num caminho com muitas portas. Num caminho que me desse tempo para viver cada alternativa. E sim, eu sei. Cada escolha abdicará sempre de uma outra escolha e em vida alguma poderia ter vivido as duas. Mas, olhando para trás, só queria realmente ter pensado melhor, falado mais, questionado sempre, para que hoje, eventualmente, tu fosses embora e eu não me importasse com isso.

28/07/2008

Cartas de Lisboa II




Love is not a victory march.
It’s a cold and it’s a broken Hallelujah.
(L.Cohen)


Decerto concordas. O amor não será mais do que o alinhamento da minha vida com a tua, neste pedaço de tempo e de chão. Temporariamente propício. Até porque seria preciso muito mais do que me teres à tua cabeceira, com os teus fios de cabelo entre os meus dedos das mãos. Até porque um dia, hoje mesmo talvez, tu vens e dizes que o amor não é suficiente e que por isso temos de o descartar e deixar ir embora. E eu devo aceitar, rever o meu tempo perdido e as minhas forças perdidas, seguir com a minha vida e, da noite para o dia, aprender a viver com isso.
E depois revejo-me, à tua cabeceira, com os teus fios de cabelo entre os meus dedos das mãos. E vou lembrar que não houve retorno. Vou lembrar que dar sem receber é para os tontos. E eu não sou assim. Mas hei-de lembrar-me sempre que não houve retorno. Não houve retorno, nem há. E por isso, às vezes, apetece-me também a mim descobrir que o amor não é suficiente. Tal uma troca em que o prejuízo não compensa, por mais gosto que se tenha no que se faz. E eu nem isso tenho.
Tenho muita pena que tenha de ser assim. Mas depois olho e percebo que haverá sempre alguém na eminência de se ir embora. E do outro lado, uma segunda metada que sobrará sempre no destino das próprias escolhas. Eu fico e tu vais. Por sistema. E às vezes eu só queria ter amor próprio para te deixar. Para te provar que em esquina alguma encontras mulher que te ame tanto, por tão pouco. Ou talvez me contentasse se lutasses para me teres à tua cabeceira. Se para ti as coisas não fossem assim, tão conformadamente fáceis. Se as coisas para ti não fossem certas – porque, se olhares bem, coisa alguma é certa, muito menos para ti.
Eficazmente, nada disto importa. Toda a tua vida será uma corda bamba, e a minha também. Faz o que tens fazer, dir-te-ei. Faz o que tens a fazer, todos os dias da tua vida, até ao dia em que te fores embora de vez. E depois disso, talvez nada mais aconteça.

10/07/2008

Cartas de Coimbra XIV



É a simplicidade e linearidade desta música que me falam todos os dias de ti. A vontade a queimar a impotência de não podermos voltar atrás. A solidão que sentimos quando o nosso quarto ficou vazio outra vez. As mãos que nos tremeram quando aquele abraço não aconteceu.
As flores. As flores que murcharam, não importa o que tentámos fazer por elas. O sistema de promessas que guardámos no fundo do bolso das calças. As palavras atiradas. As palavras que não ouvimos, as que não dissemos. O som do piano. O dedilhar de um teclado de um computador. De um computador num sítio qualquer onde reunimos o que sobrou de nós. O vento, as conversas alheias que nos chegam entre os transtornos da vida dos outros. As pessoas infelizes a partilharem connosco o comboio. Quem queriamos ter sido e não queremos mais. O destino das cartas de amor que escreveste mas que nunca enviaste. Ou que enviaste e pediste de volta. Tudo, meu amor, tudo... Tudo o que te acontece e me acontece a mim também, e que me leva de volta ao dia em que tudo o que tinha caiu ao chão. Ao dia em que dormir custou menos, acordar custou mais. Porque tudo é fácil quando, vendo bem, não é assim tão importante. Quando, vendo melhor, só custa se alguma vez acreditares que vai durar para sempre. Ou que vai durar tempo suficiente para que no próximo Natal ainda lá estejas – como prometeste que estarias e não estiveste. Mas sim, só custa se for realmente importante. E hoje só preciso de acreditar que sempre que te procurar, te vou encontrar. Te vou encontrar a tocar para mim, na volta dos acordes que nem tu sabes, mas que nos sonhos existem. Mas que apenas nos sonhos existem.