Gosto de estar aqui, sabes? De beber o vento como quem recorda o sabor de te ter comigo. Como quem volta atrás e tenta ver as coisas como as via antigamente: o contorno preto sobre os sonhos cor-de-rosa. E o pôr-do-sol que sobra dos olhares rápidos dos estudantes que passam. O instinto a revelar-nos que haverá sempre uma má desculpa para fingirmos que está tudo bem. O instinto a ganhar terreno e ainda agora a dizer-me ao ouvido que vai correr tudo bem. E que comigo não havia de ser diferente e que por isso crescemos e as coisas mudam para nós, tornam-se melhores mas mais pesadas, mais doces e mais amargas, tudo complica mas fica mais simples de fazer – faz-se pior, mas faz-se. Perde-se o brio nas coisas em que somos bons, mas continuamos a ter o vento a bater-nos na cara e o pôr-do-sol a encher-nos o ego. Quando, no fim de tudo, nós só queriamos que o sofrimento tivesse valido a pena.






