
Tenho muito medo de dizer o que sinto. E esta pode ter sido a frase mais simples que escrevi nos últimos meses e, contudo, a mais honesta. Não digo que tenho medo às vezes, porque são demasiadamente mais as vezes em que me inibo de dizer o que penso, do que as que digo e não me arrependo. E ainda agora fiz isso. Não falei porque não esperam que fale. Por aí, algures num blog amigo, li uma confissão que me tocou preferencialmente. Encheu-me os olhos de lágrimas. Apeteceu-me poder atravessar a rua e, na esquina de todos os dias, abraçar o autor dessa magia imensa que tanto me impressiona, mas que não esperam que partilhe.
We might as well be strangers. Não sei bem se somos estranhos, se amigos, se vizinhos num mundo de palavras. Não sei se ficaria estranho se eu me aproximasse para lhe dar testemunho das múltiplas formas de um só Amor que eu conheço, se não acreditaria em mim. Só sei que a voz que calo, fala numa perspectiva que ele acha que não devia ser a minha. Só sei que muitas vezes a vontade e o entendimento não se encaixam na identidade que trazemos connosco. Só sei que não tenho idade para que acreditem em mim.
E por isso mesmo, tenho medo, muito medo, de dizer o que sinto. E o que penso involuntariamente também. Porque não esperam que o faça. Ouviriam o que tenho a dizer com dois ouvidos mornos e adormecidos, como quem não reconhece quem diz e que, portanto, presume que nada há para ser ouvido.
E talvez tenham razão. Mas não é isso que eu sinto. Quero falar porque acho que tenho alguma coisa para dizer. E algumas lágrimas para chorar nos ombros certos, mas isso agora não interessa. Quero falar porque não cresci em vão e porque já saltei obstáculos quase tão altos como estes. Quero falar porque os abraços não dizem tudo e nem esses achas justo que partilhe. Não quero ser igual aos outros. Não quero que achem que o sou. Não quero que banalizem, nem que desdenhem das verdades tão prudentes e absolutas que eu digo e sei.
E hoje reparo que, como eu, somos muitos a pedir exclusividade. Hoje eu reparo e sei que, na voz de uma comunidade inteira, somos estranhos a deixar de o ser e a descobrir que, além quilómetros, outra vida pensa igual, sente igual e, se não é igual, é um pormenor de contexto desimportante que não nos afasta nem aproxima, mas apaixona. Todos os dias. E por isso, eu sei que não cresci em vão e que não quero perder isto em que acredito. Não sou, afinal, só mais uma.
We might as well be strangers. Não sei bem se somos estranhos, se amigos, se vizinhos num mundo de palavras. Não sei se ficaria estranho se eu me aproximasse para lhe dar testemunho das múltiplas formas de um só Amor que eu conheço, se não acreditaria em mim. Só sei que a voz que calo, fala numa perspectiva que ele acha que não devia ser a minha. Só sei que muitas vezes a vontade e o entendimento não se encaixam na identidade que trazemos connosco. Só sei que não tenho idade para que acreditem em mim.
E por isso mesmo, tenho medo, muito medo, de dizer o que sinto. E o que penso involuntariamente também. Porque não esperam que o faça. Ouviriam o que tenho a dizer com dois ouvidos mornos e adormecidos, como quem não reconhece quem diz e que, portanto, presume que nada há para ser ouvido.
E talvez tenham razão. Mas não é isso que eu sinto. Quero falar porque acho que tenho alguma coisa para dizer. E algumas lágrimas para chorar nos ombros certos, mas isso agora não interessa. Quero falar porque não cresci em vão e porque já saltei obstáculos quase tão altos como estes. Quero falar porque os abraços não dizem tudo e nem esses achas justo que partilhe. Não quero ser igual aos outros. Não quero que achem que o sou. Não quero que banalizem, nem que desdenhem das verdades tão prudentes e absolutas que eu digo e sei.
E hoje reparo que, como eu, somos muitos a pedir exclusividade. Hoje eu reparo e sei que, na voz de uma comunidade inteira, somos estranhos a deixar de o ser e a descobrir que, além quilómetros, outra vida pensa igual, sente igual e, se não é igual, é um pormenor de contexto desimportante que não nos afasta nem aproxima, mas apaixona. Todos os dias. E por isso, eu sei que não cresci em vão e que não quero perder isto em que acredito. Não sou, afinal, só mais uma.







