Alcains é uma terra de reencontros. Cada vez menos, mas ainda o é. E menos é afinal tudo o que este lugar ainda encerra. Pelo menos para mim. Para mim que já não procuro a ombreira desta porta pela madrugada; que já não me sento neste degrau, de cabelo molhado, a contar as pedras dos caminhos que já não percorro. Para mim que não adormeço mais à espera das estrelas cadentes que nunca vieram, nem dos desejos que nunca pedi, nem das promessas de vida que nunca fui capaz de fazer.
Alcains é ainda uma terra de reencontros, mas não para mim. Porque, sempre que volto, ainda que me cruze com os mesmo olhares, ainda que descubra as mesmas vidas estacionárias, nada me sabe a reencontro, tudo me sabe a rotina. Tudo me é estranho e ainda assim, mais que visto. Tudo perde magia, tudo ganha distância.
E Alcains… Alcains guarda as minhas origens, nada mais. Tal uma terra perdida do mundo que parece minguar sobre si e afundar pouco a pouco os segredos das famílias e o passado inacabado de todos os seus ancestrais. Alcains está sempre no sítio em que a deixo, prometendo voltar, e que revivo apenas quando te quero mostrar este bocado de mim que às vezes ainda precisa de respirar este lugar. Alcains morrerá um dia e das suas histórias sobrarão as fotografias cinzentas, os afectos adiados pelos quilómetros, os esqueletos de tantos armários por abrir. Alcains resumir-se-á talvez às canções de Natal que cantavam para nós, à imagem silenciosa dos avós, ao nosso corpo tão oco e indisposto, a chorar porque sim. Alcains será apenas, com o passar das gerações, um ponto esquecido no mapa, uma placa desviada que nos dá as direcções quando, na estrada, o nosso destino for outro. Alcains, um dia, não será mais que Alcains: o nome de outros tempos e de outras idades. E sorrir-me-á eternamente como o sorriso que eu hoje deixo aqui às pedras dos caminhos e às gentes vestidas de negro, que franzirão eternamente o sobrolho ao ver-me chegar.
Alcains é ainda uma terra de reencontros, mas não para mim. Porque, sempre que volto, ainda que me cruze com os mesmo olhares, ainda que descubra as mesmas vidas estacionárias, nada me sabe a reencontro, tudo me sabe a rotina. Tudo me é estranho e ainda assim, mais que visto. Tudo perde magia, tudo ganha distância.
E Alcains… Alcains guarda as minhas origens, nada mais. Tal uma terra perdida do mundo que parece minguar sobre si e afundar pouco a pouco os segredos das famílias e o passado inacabado de todos os seus ancestrais. Alcains está sempre no sítio em que a deixo, prometendo voltar, e que revivo apenas quando te quero mostrar este bocado de mim que às vezes ainda precisa de respirar este lugar. Alcains morrerá um dia e das suas histórias sobrarão as fotografias cinzentas, os afectos adiados pelos quilómetros, os esqueletos de tantos armários por abrir. Alcains resumir-se-á talvez às canções de Natal que cantavam para nós, à imagem silenciosa dos avós, ao nosso corpo tão oco e indisposto, a chorar porque sim. Alcains será apenas, com o passar das gerações, um ponto esquecido no mapa, uma placa desviada que nos dá as direcções quando, na estrada, o nosso destino for outro. Alcains, um dia, não será mais que Alcains: o nome de outros tempos e de outras idades. E sorrir-me-á eternamente como o sorriso que eu hoje deixo aqui às pedras dos caminhos e às gentes vestidas de negro, que franzirão eternamente o sobrolho ao ver-me chegar.
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