by Tina SprattYou don’t have to love me all the time. – É o que eu lhe digo em monólogos escondidos que tenho comigo, mesmo antes de me deitar e dormir. – Não tens de me amar com devoção, não tens de ser sincero, nem perfeito, nem sequer feito à minha medida. Espero de ti apenas a exclusividade momentânea dos amores individuais, os quais eu não sinto. Espero de ti um fingimento piedoso que me convença senhora das tuas múltiplas pessoalidades e motor dessas tuas tantas vontades. Não espero prender-te, ser mais do que o que me compete ser. Mas se ao menos pudesse ter-te inteiro na minha turva ilusão de um anoitecer que vivo ainda de mão dada contigo! Isso seria o ideal. E mais que o ideal, a metade de uma realidade conjugando-se com uma outra metade feita de sonhos e de histórias de embalar, feita de lugares sem nome e de momentos sem pressa.
You don’t have to love me all the time. Nem sequer preciso que mo digas, nem tão pouco que o jures, nem que faças coisa alguma senão fingir. E fazer-me acreditar. Não preciso que seja verdade, basta que eu ache que sim. Basta que eu seja um ledo engano de alma a vaguear nas instâncias de um fruto muito mais que proibido, roubando luz à luz, frio ao frio, motivos à própria argumentação que dá razão de ser a tudo o que existe e ao que está para lá do nosso entendimento também. Basta que abras mão de todos os demais caprichos de homem que possas ter e sejas único para mim. Tal como a primeira vez das coisas que se demoram em nós e ganham raízes. Tal como as promessas de fogo e de sangue que perdem o sentido da jura com o virar da idade mas que serão sempre promessas, feitas no calor dos afectos. Tal como o mundo a mudar todos os dias, a fazer-se a cada manhã maior que tudo e, no entanto, a caber-nos nas mãos tão vazias de tanto e ansiosas por tanto mais. Por tanto, tanto mais! Ansiosas por demasiado. Como se tivéssemos ainda a vida inteira pela frente…
You don’t have to love me all the time. Nem sequer preciso que mo digas, nem tão pouco que o jures, nem que faças coisa alguma senão fingir. E fazer-me acreditar. Não preciso que seja verdade, basta que eu ache que sim. Basta que eu seja um ledo engano de alma a vaguear nas instâncias de um fruto muito mais que proibido, roubando luz à luz, frio ao frio, motivos à própria argumentação que dá razão de ser a tudo o que existe e ao que está para lá do nosso entendimento também. Basta que abras mão de todos os demais caprichos de homem que possas ter e sejas único para mim. Tal como a primeira vez das coisas que se demoram em nós e ganham raízes. Tal como as promessas de fogo e de sangue que perdem o sentido da jura com o virar da idade mas que serão sempre promessas, feitas no calor dos afectos. Tal como o mundo a mudar todos os dias, a fazer-se a cada manhã maior que tudo e, no entanto, a caber-nos nas mãos tão vazias de tanto e ansiosas por tanto mais. Por tanto, tanto mais! Ansiosas por demasiado. Como se tivéssemos ainda a vida inteira pela frente…








