Pressinto que a passividade dos dias mudou. O ritmo das horas, as viagens de comboio, a importância das gotas de chuva acumulando-se na consciência. Que tudo isso mudou. E a nostalgia. A nostalgia guardada para os momentos em que a mereço. O rancor, com quem tantas vezes me deitei, usado como se usam medalhas, como se ostentam conquistas, conquistas que tiveram afinal o fim sempre tão obvio, sempre tão perto.
Desculpa se falo sempre do mesmo. Desculpa se não sou como tu. Às vezes lembro-me que não falo para ti e ignoro que possas acreditar que sou apenas isto. Mas o que sobra por dizer, por mais que diga, é sempre tanto: às vezes ideia soltas, ideias soltas no espaço livre do pensamento; às vezes apenas folhas, e semblantes, e sensações: rasgadas à pressa ou por engano do toque morno das tuas mãos.
Às vezes um nada, que não consegue ser em palavras apenas nada. Às vezes o frio, e não apenas o frio, mas o frio que sinto para lá da pele, e, de pele em pele, um frio que persiste à passividade dos dias e aos encontros furtivos dos meus olhos com o vácuo. Às vezes só o ritmo da chuva: o calor, a quietude da protecção dos lençóis, acomodada longe de tudo, especialmente da noite. Às vezes, tanta coisa que não deves saber por mim. Que talvez já saibas. Que talvez tenhas sempre sabido.
Desculpa se falo sempre do mesmo. Desculpa se não sou como tu. Às vezes lembro-me que não falo para ti e ignoro que possas acreditar que sou apenas isto. Mas o que sobra por dizer, por mais que diga, é sempre tanto: às vezes ideia soltas, ideias soltas no espaço livre do pensamento; às vezes apenas folhas, e semblantes, e sensações: rasgadas à pressa ou por engano do toque morno das tuas mãos.
Às vezes um nada, que não consegue ser em palavras apenas nada. Às vezes o frio, e não apenas o frio, mas o frio que sinto para lá da pele, e, de pele em pele, um frio que persiste à passividade dos dias e aos encontros furtivos dos meus olhos com o vácuo. Às vezes só o ritmo da chuva: o calor, a quietude da protecção dos lençóis, acomodada longe de tudo, especialmente da noite. Às vezes, tanta coisa que não deves saber por mim. Que talvez já saibas. Que talvez tenhas sempre sabido.

